A recomposição da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que deixará o preço final de carros até 3,6% mais alto a partir da próxima semana (1° de janeiro), está levando centenas de consumidores a antecipar as compras de veículos novos, que estavam previstas para o primeiro semestre de 2014. Com o movimento em alta, as concessionárias de Goiânia já começam a rever as estimativas de queda nas vendas neste mês de dezembro pelo crescimento inesperado.

O governo federal confirmou na última terça-feira o aumento gradual do IPI. Para os carros populares 1.0, a alíquota, que hoje está em 2%, passa a ser de 3%. Após o dia 30 de junho, a alíquota subirá para 7%. Para carros com motor entre 1.0 e 2.0 flex, a alíquota sobe de 7% para 9% e depois 11%. Os movidos apenas a gasolina, a alíquota aumenta de 8% para 10% e depois 13%.

DECISÃO

Apesar da batida de martelo só ter ocorrido nesta semana, os rumores da retomada do IPI vinham sendo ventilados desde o mês de agosto. O imposto havia sido reduzido a zero para os carros populares em abril do ano passado. Neste ano, foi gradualmente recomposto até os 2%. O cronograma original previa o retorno para a alíquota antiga (de 7%) em 2014.

Entre idas e vindas, a redução do IPI para automóveis começou a ser aplicada no País em 2008, com o início da crise econômica financeira mundial. O governo, nestes cinco anos, tentou manter o crescimento da economia do País por meio do estímulo ao consumo – angariando críticas de economistas. Agora, com a retirada gradual do estímulo, o governo tenta cortar esta lógica de crescimento pelo consumo e aumentar a arrecadação dos cofres públicos.

O professor Higor Morais de Oliveira, de 31 anos, vinha trabalhando com a ideia de comprar um carro novo em fevereiro de 2014. Ele passou os últimos meses pesquisando preços, marcas, modelos que se adequavam à suas necessidades. A notícia de que o IPI poderia deixar o preço final do carro escolhido R$ 1 mil mais alto foi decisiva para ele antecipar a compra.

No último sábado iniciou a negociação e ontem recebeu da vendedora Tânia Valim, da Tecar Buriti, as chaves do seu carro zero-quilômetro. O professor avalia que a compra do Gran Siena 2013/2014 agora ainda possibilitou uma economia maior do que esperava. “Se fosse comprar em fevereiro, sairia o modelo 2014/2014, que deixaria o carro até R$ 2 mil mais caro. Se contasse com os R$ 1 mil do IPI, o valor final do veículo ficaria até R$ 3 mil mais alto no ano que vem”, calcula.

IMPACTO

O gerente comercial do grupo Tecar, Fernando de Faria, diz que este movimento fez as vendas de dezembro se manterem no mesmo patamar de dezembro de 2012 (quando o mercado registrou recorde) e crescer 20% em relação ao mês de novembro. Segundo ele, o mercado já esperava um avanço moderado em relação ao mês passado, por conta da injeção do 13° salário na economia, mas nada próximo do vivenciado hoje.

Nos meses de outubro e novembro, diz, as vendas não foram boas. A notícia de recomposição parcial da alíquota do IPI somou esforços à injeção do 13° para aquecer o mercado em dezembro. Ele explica que, além disso, as montadoras promoveram maior bonificação para carros – possibilitando às concessionárias oferecerem descontos superiores a R$ 2 mil.

“É bom lembrar que, no início do próximo ano, além da nova alíquota do IPI, terá a diminuição da bonificação típica de fim de ano e repasse do custo para os novos modelos 2014/2014. Em alguns modelos, haverá ainda a obrigatoriedade de implantação do air bag e freios ABS, o que vai onerar os preços. O consumidor que comprar agora está fazendo economia”, diz.

O diretor comercial da Renauto Veículos, Luís Fernando Feresin de Abreu, descreve ainda que as taxas e prazos também estão mais agressivos neste mês. Antes, o juro médio para financiamento era de 1,2%, com entrada de 20%. Agora, o consumidor encontra a taxa 0, com 50% de entrada, em até 48 vezes. Ele cita que os bônus também estão maiores. A título de exemplo, um Sandero tem hoje desconto de R$ 700,00. “Quem comprar agora em dezembro vai ter taxa, prazo e bônus. As facilidades estão ai”, diz.

O gestor de vendas da Jorlan, Márcio Macedo de Oliveira, aconselha o consumidor a comprar o quanto antes. “A montadora faturou carros extras antes de entrar em férias coletiva. As oportunidades são únicas”, avalia. Ele ainda diz que, apesar das vendas terem oscilado neste ano, dezembro está sinalizando uma recuperação positiva. “Todo mundo está preocupando com o aumento do IPI. A loja está lotada. Não é possível afirmar que teremos estoque com o IPI reduzido”, declara.

Fonte: O Popular