A cada ano os números de auxílio-doença para usuários de droga emitidos em Goiás pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aumentam. Apenas no ano passado, 2.611 benefícios foram concedidos pelo INSS, número 6% maior do que no ano anterior. O Estado é o sétimo na lista de auxílios emitidos a usuários, em lista encabeçada por São Paulo (42.649) e Minas Gerais (20.411). Em todo o Brasil, foram 134.642 benefícios concedidos.

Do total de auxílios-doença concedidos aos dependentes químicos em Goiás no ano passado, 928 se referem a transtornos mentais e comportamentais gerados pelo uso de drogas, sendo que 459 pessoas receberam o benefício federal por usar múltiplas drogas, 181 por ser dependente de cocaína e 274 pelo uso exacerbado de álcool. Para ter acesso ao benefício, o usuário necessita passar por todos os trâmites do INSS e, normalmente, é levado pela família.

No caso, é necessária a autorização de uma perícia médica e de atestados e exames que comprovem a dependência e a incapacidade para o trabalho. Segundo o assistente social e assessor do Grupo Executivo de Enfrentamento às Drogas (Geed), Roberto Vilaverde, o aumento da concessão do auxílio-doença se dá em razão de que há alguns anos ninguém tinha a informação de que era possível recebê-lo. Havia a dificuldade até mesmo de reconhecer a dependência como doença. “Hoje, se o médico atesta a dependência o usuário pode receber o auxílio.”

A gerente da agência da Previdência Social de Goiânia, Maria Luzeni dos Santos afirma ser notório o aumento da procura do auxílio nos últimos anos. “O contato começa quase sempre com um familiar, já que o doente já se encontra internado. É avaliada a invalizez da pessoa, em que normalmente se constata os distúrbios mentais e o desequilíbrio.” O valor recebido pelo beneficiário é de acordo com o salário e a média tem variado entre R$ 900 e R$ 1.100. “Mas a gente sabe que há casos com pessoas de salários melhores.” O tempo estimado para análise do processo é de 90 dias.

Vilaverde relata que o avanço do uso de drogas na sociedade culmina no déficit no mercado de trabalho, já que o usuário piora o seu rendimento. “A principal característica é a mentira. A pessoa passa a mentir muito, não consegue produzir e a faltar muito no trabalho, especialmente na segunda-feira.” O assistente social reforça ainda que as próprias empresas não conseguem auxiliar ou orientar o trabalhador em relação às drogas.

O uso do dinheiro do auxílio-doença pago pelo governo federal deve ser ligado ao tratamento do usuário, segundo o assessor do Geed Roberto Vilaverde. Essa questão, no entanto, deve ser bem amarrada, já que o doente perde o controle sobre o uso do dinheiro. “É um caso a se pensar, que devemos sentar e trabalhar sobre quem deve controlar esse auxílio para que ele não acabe servindo e contribuindo com o próprio uso da droga.” Vilaverde afirma que ainda não se sabe quem tem essa responsabilidade, se a família, o médico ou o Estado.

Fonte: O Popular