Salário mínimo é pouco para pagar aluguel e manter as despesas de casa: energia, água e gás

A doméstica aposentada Maria da Piedade Reis, de 61 anos, diz que não esperava passar por todas as dificuldades financeiras as quais vem enfrentando desde que se mudou com a neta, a pequena Roseane, de 4 anos, para Goiânia. Viúva, ela conta que deixou a pequena cidade de Bacabal, no interior do Maranhão, buscando vida melhor para ela e a neta. Entretanto, por viver apenas com um salário mínimo e ainda ter de pagar aluguel, não conseguiu comprar nem mesmo um botijão de gás para cozinhar os poucos alimentos que tem em casa.

Maria conta que o derrame sofrido por ela há cerca de quatro anos foi o principal motivo de deixar a antiga casa, em que também morava de aluguel. “Como morávamos na roça, tudo lá era mais difícil. Como nunca tivemos carro, precisava andar diversas léguas com a menina até chegar ao posto de saúde mais próximo”, revela ela.

Apesar de não ter de caminhar tanto para encontrar um hospital, ela confessa que vem enfrentando inúmeras dificuldades financeiras na nova cidade, em que mora de aluguel e em que cozinha em um fogareiro por não ter o suficiente para um botijão de gás. “Até ganhei um fogão usado de vizinhos, mas ainda não tive como economizar para comprar um botijão”, justifica.

Despesas

Com diversos recibos na mão, ela conta o porquê de toda a dificuldade financeira dela e da neta. De acordo com ela, quase metade da aposentadoria, ou seja, 250 reais, são gastos apenas com o aluguel de um pequeno barracão de dois cômodos. Além disso, ainda precisa economizar bastante para ter o suficiente para o 100 reais dos gastos com água e energia. O que a deixa impossibilitada de gastar com o que quer que seja a não ser alimentos.

Como a neta precisa estudar, Maria conta ainda que está perdendo o sono sempre que pensa nos materiais escolares. “Cheguei a matriculá-la em uma creche aqui perto. Mas estou quase pensando em desistir da vaga por não ter nem de onde tirar dinheiro para comprar os cadernos”, declarou a avó.

Fora isso, ainda terá de se virar para comprar roupas para a menina, que vem crescendo em ritmo espantoso. “Já que, além de serem peças muito velhas, já estão ficando apertadas para a menina.”

Fonte: O Hoje