Feijão desbanca o tomate e passa a ser o vilão dos preços no grupo alimentos, com aumento de 9,47% em abril

O goianiense continuou refém da alta de preços dos alimentos no mês de abril, quando a inflação avançou 0,69%. Desta vez, o grupo dos alimentos, que, sozinho, variou 0,87%, teve a ajuda dos reajustes dos medicamentos, de 3% em média, e do aluguel residencial, de 0,83% – todos com grande peso para o custo de vida das famílias. Com isso, os produtos e serviços em Goiânia já acumulam, nestes quatro primeiros meses de 2013, uma alta de 2,76%.

Ainda assim, o cenário isolado para o mês de abril é melhor do que o de 2012, quando os preços aumentaram 1,01%. Os dados divulgados ontem pelo Instituto Mauro Borges de Estatística e Estudos Socioeconômicos, da Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás (IMB/Segplan-GO), mostram que, se considerado o cenário dos últimos 12 meses, a variação chega a 9,94%, muito acima do teto previsto pelo governo federal para a inflação este ano (6,5%).

Novo vilão

Entre os alimentos, o feijão carioca aumentou 9,47% e desbancou o lugar de vilão do tomate, que em abril barateou, em média, 10,53%, com o recuo das chuvas.

A alta do grão ainda é reflexo da quebra da primeira safra, provocada por questões climáticas (seca no plantio e muito chuva na colheita). A surpresa para os pesquisadores foi quanto ao preço do pão francês, que subiu 5,26%.

Segundo o gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais do IMB, Marcelo Eurico de Sousa, o motivo foi a redução de trigo no mercado internacional, fato que costuma ocorrer a partir de maio.

“O setor produtivo, com medo da oferta, antecipou a compra do trigo, que ficou escasso no mercado”, explica.

O leite tipo C também contribuiu para o cenário inflacionário, com uma alta de 4,53%, motivado pela diminuição da oferta, com o início da entressafra.

Remédios

Em relação aos remédios, trata-se de um aumento anual já previsto. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) já havia autorizado um reajuste de 2,31% até 6,31%, dependendo da fórmula (os genéricos tiveram uma remarcação maior).

Os destaques foram para os antialérgicos (4,50%), vasodilatadores/pressão arterial (4,34%), calmantes (4,24%), antigripais e antitussígenos (3,32%).

No grupo de vestuário, que variou 1,65% em abril, a alteração se deve à mudança de coleção, com a chegada das primeiras peças para o outono-inverno – destaque para blusa feminina (4,08%) e calça masculina (2,62%). Entre os artigos residenciais (1,42%), o maior peso foi do conserto de televisão (6,96%).

Maio

Para maio, a previsão continua desfavorável ao consumidor. Pela análise de Marcelo Eurico, além do reajuste na tarifa de água e energia (já anunciado em 6,01%), o feijão e o leite devem continuar pressionando a inflação este mês.

Vestuário também tem tendência de alta, com o peso da coleção outono-inverno. Tudo isso, sem falar na expectativa de um possível reajuste na passagem de ônibus coletivo. “Se isso se confirmar, a pressão será ainda maior”, frisa Marcelo Eurico de Sousa, do Instito Mauro Borges.

 Cesta básica sobe 1,72%

Com o preço da alimentação em alta, a cesta básica em Goiânia encareceu 1,72% e chegou a R$ 255,55 – um aumento de R$ 4,31 em relação a março, segundo o IMB. No acumulado do ano, o custo da cesta aumentou 10,31% na capital, e nos últimos 12 meses, chega 21,30%.

Os dados mostram que a desoneração da cesta (promovida pelo governo federal em março) ainda não chegou na ponta mais importante – o consumidor. “A gente ainda não percebeu isso porque a produção foi muito prejudicada neste início de ano. Além disso, os setores envolvidos (produtivo, atacado e varejo) não chegaram a um consenso, o que mostra que eles precisam ser regulamentados”, opina o gerente do IMB.

Dieese aponta queda de preços

O recuo no preço de seis alimentos fez com que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apurasse uma queda de 1,24% no preço da cesta básica em Goiânia, durante o mês de abril.

São eles: tomate (-16,19%), óleo de soja (-7,23%), café (-5,20%), açúcar (-3,85%), arroz (-3,23%) e carne (-1,10%). Com isso, o custo do conjunto de 13 itens que compõem a cesta do Dieese baixou de R$ 284,22 para R$ 287,78 – uma diferença de R$ 3,56, que colocou a capital goiana como a quarta mais barata entre as 18 cidades pesquisadas no País.

Contramão

O resultado vai na contramão dos dados pesquisados pelo Instituto Mauro Borges, no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Goiânia, que aponta para um aumento de 1,72% no preço da cesta básica. O choque de informações é justificado devido às diferenças de metodologias utilizadas pelas instituições.

Conforme a coordenadora-técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito, a diminuição no preço da cesta em Goiânia é positiva, mas não diminui o forte impacto dos preços no acumulado do ano, que é de 8%, e nos 12 últimos meses, de 20,76%.

Fonte: O Popular (GO)