A história se repete todo início de ano: impostos, matrículas, material escolar e aumento da mão de obra tornam o mês de janeiro quase sempre o mais impactante no custo de vida do consumidor. Este ano não foi diferente. A inflação avançou 1,13%, impulsionada pelo encarecimento dos alimentos (1,08%), educação (6,83%), reajuste do salário do empregado doméstico (6,79%) e dos combustíveis (3,33%). Apesar de ser o maior índice dos últimos 12 meses, é o menor registrado nos últimos quatro anos para um mês de janeiro, o que mostra certa estabilidade no quadro inflacionário.

Conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), três produtos se destacaram pelo peso na inflação dos alimentos: laranja pera, cenoura e carne bovina. A alta destes produtos é explicada por questões sazonais. No caso da laranja, que subiu 16,52%, embora a produção goiana esteja em plena safra, boa parte do produto está sendo exportada para São Paulo, que é o maior Estado produtor da fruta, mas enfrenta quebra de produção, explica o economista Marcelo Eurico de Sousa, gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais do IMB.

O encarecimento da cenoura (20,74%), assim como de diversos outros alimentos (legumes, tubérculos, hortaliças e raízes), foi causado pelas intensas chuvas ocorridas nos últimos meses, seguidas de intenso calor. A carne bovina, que permaneceu estável durante boa parte do ano de 2013, tem apresentado altas nos últimos meses, devido à redução do produto no mercado, como consequência da piora das pastagens para engorda, do alto custo do confinamento e aumento das exportações.

CESTA BÁSICA

A alta dos alimentos inevitavelmente impactou o valor da cesta básica, que encareceu R$ 2,84 (ou 1,16%), na comparação com dezembro. No mês passado, os 12 alimentos custaram R$ 246,77. O contrapeso na alimentação em janeiro ficou por conta do leite, que barateou 4,84%, e do feijão carioca (-5,72%), ambos devido a uma maior oferta no mercado.

“São produtos importantes e que deram um alívio para o bolso do consumidor neste início de ano”, ressalta a chefe de gabinete de Gestão do IMB, Lillian Prado.

Fonte: O Popular