Índice em Goiânia recuou de 0,41% em maio para 0,27% em junho. Alimentos mais consumidos, como tomate, batata e feijão, puxaram a queda

Os alimentos deixaram de ser os principais vilões da inflação de Goiânia em junho. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice de inflação oficial divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caiu de 0,41% em maio para 0,27% em junho em Goiânia porque alimentos, como tomate, batata e feijão, ficaram mais baratos. O índice só não foi menor por causa de reajustes de alguns ítens importantes nos grupos de transporte e habitação. Até a Copa do Mundo exerceu sua influência na inflação de junho.

Os alimentos e bebidas fecharam o mês passado com uma queda de 0,48%. As maiores reduções ocorreram nos preços do tomate, que ficou 13,3% mais barato, da batata, que teve queda de 11,7%, e do feijão, que estava custando 6,7% menos que no mês anterior. Vale lembrar que estes são produtos de grande peso no índice por serem muito consumidos pelos goianienses.

A coordenadora do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes, lembra que já é tradicional essa queda nos preços dos alimentos nos meses de junho e julho. O período de seca fica mais favorável à produção de verduras, legumes e hortaliças, que ficam mais baratos nas feiras e supermercados. “Mas, este ano, com a Copa, também houve uma mudança nos hábitos de consumo: as refeições tradicionais, como arroz e feijão, também acabam substituídas por alimentos como pizza, sanduíches e petiscos”, lembra.

Os produtos de vestuário também ficaram mais baratos em junho. A coordenadora do IBGE acredita que isso possa ser reflexo da queda nas vendas do comércio em geral, apontada como um efeito do Mundial.

PASSAGENS

Enquanto os alimentos deram uma boa trégua à inflação, os grupos de transportes e habitação deixaram o orçamento da população de Goiânia um pouco mais apertado. Com o aumento das passagens de ônibus, o transporte público ficou 2,95% mais caro. Mas o que mais assustou foi o aumento de 33,8% nos preços das passagens aéreas na capital.

Eulina também prevê que isso seja reflexo do aumento do interesse dos brasileiros pela Copa do Mundo, que estimulou a procura pelas cidades-sede dos jogos.

Já os itens do grupo habitação ficaram, em média, 0,58% mais caros em junho pelo IPCA, que mede a inflação para famílias com renda de até 40 salários mínimos. O maior destaque ficou por conta do reajuste de 1,15% na energia elétrica. Os preços de alguns materiais de construção, como tijolo e areia, também pesaram mais no orçamento.

MENOR RENDA

A inflação foi menor para as famílias de menor renda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede o custo de vida para as famílias com renda de até cinco salários mínimos, fechou o mês em 0,09%, graças a uma queda de 0,62% nos preços dos alimentos. Para essas famílias, o que mais pesou foram as despesas pessoais, que subiram 0,85% no mês.

Para o chefe do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, este recuo do índice em junho é considerado normal, depois de uma alta no mês anterior. Ele lembra que, depois do grupo de alimentos e bebidas, o grupo transportes têm o segundo maior peso no cálculo do índice, com 20,6%, seguido por habitação, que responde por 15,25% da inflação. Por isso, esses dois grupos impediram que o índice fosse ainda menor.

Copa fez hotéis e avião dobrarem índice

(AE)

09 de julho de 2014 (quarta-feira)

A Copa do Mundo fez disparar os preços de passagens aéreas e diárias de hotel em junho. Apenas esses dois itens foram responsáveis por metade da inflação de 0,40% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o aumento na demanda por serviços causada pelo mundial, nem a deflação registrada pelos alimentos e combustíveis foi suficiente para segurar o índice de preços. A inflação oficial acumulada em 12 meses foi a 6,52% em junho, estourando o teto da meta estipulada pelo governo – de 4,5%, com dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Segundo a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, o “efeito Copa” em junho já era esperado. Os preços de diárias de hotel, sobretudo, devem recuar nos próximos meses. No entanto, o fato de a inflação ficar menor quando se expurgam passagens aéreas e hotéis não deve ser comemorado. “Junho é mês de inflação baixa”, lembra Solange.

Os hotéis lideraram o ranking de impactos por itens. A alta de 25,33% nos preços das diárias foi influenciada pelos preços mais altos em dias de jogos. Já as passagens aéreas ficaram 21,95% mais caras em junho, na esteira do aumento na demanda causado pela Copa.

Ao menos os alimentos já não preocupam tanto. Com a perspectiva de safra favorável no Brasil e em países como os Estados Unidos, o grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação de 0,11% em junho, o menor resultado desde julho de 2013. “Estamos vendo um comportamento favorável da alimentação, agora devolvendo parte da alta dos preços por conta dos choques”, diz o economista-senior do Besi Brasil, Flávio Serrano.

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IGP-DI de junho registra deflação de 0,63%

(Agência Estado)

09 de julho de 2014 (quarta-feira)

Após a disparada de preços com a estiagem entre março e abril, a perspectiva de boas safras no Brasil e no exterior tem dado alívio até mais duradouro que o esperado à inflação. Em junho, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve queda de 0,63%, a mais intensa desde julho de 2009, informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O sinal negativo deve persistir em julho, diante da contínua contribuição benéfica dos alimentos.

“A deflação está se estendendo. Não mudou de causa, mas mudou de extensão. A safra agrícola, apesar de tudo, vai ser recorde”, afirmou o superintendente adjunto de inflação da FGV, Salomão Quadros. Para ele, os índices de preços apurados pela fundação devem ter mais resultados negativos ao longo deste mês.

Fonte: O Popular