O consumidor mal acostumou com o salto de 44,1% do preço da energia elétrica este ano e vai ter de fechar ainda mais a torneira do orçamento. A partir do dia 1º de julho, a tarifa da Saneago estará 32,13% mais alta. Com a elevação também da passagem do transporte coletivo, era a última que faltava assombrar de vez o consumidor goianiense (veja quadro). Não tem para onde correr. São serviços de primeira necessidade e de valores inegociáveis. Diante de aumentos na casa de dois dígitos, por mais que o consumidor consiga economizar o uso dos produtos, é difícil evitar o impacto no orçamento.

Com o aumento da Saneago, somente a tarifa desses três setores este ano serão responsáveis por rombo mensal de R$ 96,40 a mais nas contas de uma família de classe média (veja quadro), que não teve nenhum reajuste salarial nos últimos 12 meses. Isso corresponde a 8,36% do orçamento de uma família que ganha, em média, R$ 5 mil por mês. Mas como são serviços essenciais para o comércio, indústria e prestadores de serviços, as alterações dessas tarifas impactam em toda a cadeia produtiva, gerando efeito cascata.

A tendência é encarecer os preços desde o pãozinho do café da manhã até o valor de uma diarista. Se é possível ficar sem um ou outro com o intuito de equilibrar as contas, quem mora em apartamento sabe o reflexo direto dessas majorações no valor do condomínio. O jeito é cortar o que for possível para não ficar com as contas no vermelho. “Não há como não sentir esses aumentos. São básicos e impactam em toda a cadeia”, explica o gerente de pesquisas do Instituto Mauro Borges, Marcelo Eurico de Sousa.

Saneago

A tarifa média da água passará de R$ 3,82 para R$ 5,05 e deve impactar a maioria dos consumidores na cobrança de agosto. Somado aos outros aumentos que já ocorreram neste ano, principalmente de energia elétrica e transporte, esse acréscimo terá importante contribuição na pressão sobre a renda dos consumidores e a inflação pode iniciar o segundo semestre em índice recorde.

O porcentual elevado da revisão será aplicado para a tarifa de saneamento nos 225 municípios goianos atendidos pela estatal. Entre os fatores, ele considera recomposição inflacionária e de custos para prestação do serviço e amortização de investimentos. “É a primeira que ocorre e por isso teve índice mais elevado. Um dos agravantes foram os aumentos de energia dos últimos anos, que é um insumo importante”, explica a superintendente de Expansão e Concessão da Saneago, Juliana Matos de Sousa.

Ao comentar o reajuste, o governador Marconi Perillo afirmou ontem que vai avaliar a adequação tarifária junto aos responsáveis pela área.

“Quem está tratando disso é a diretoria da Saneago com a Agência de Regulação. Eles estão fazendo avaliações sobre perdas que ocorreram ao longo do tempo e, certamente, esses números serão trazidos para mim no momento adequado”, disse o governador.

Fonte: O Popular