Com a inflação nas alturas e a Selic, taxa básica de juros da economia, em constante alta, a opção para quem quer investir em 2015 é a renda fixa. Segundo os especialistas, ao contrário de outros anos, quando as corretoras faziam previsões variadas sobre as melhores formas de aplicações, este novo ano chegou com um cenário financeiro definido. A certeza de altas e de turbulências em investimentos de renda variável, como a Bolsa de Valores, devem favorecer o desempenho das aplicações ligadas aos juros pós-fixados.

Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), Tesouro Direto, Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Certificados de Depósito Bancários (CDBs) são exemplos de investimentos que estarão em destaque ao longo de 2015, especialmente no primeiro semestre, quando não há previsões da economia brasileira apresentar desempenho representativo. Conforme explica o agente de investimento Leonardo Rocha Fernandes, essas são aplicações atreladas à inflação e que crescerão, juntamente com ela e com a taxa de juros.

Mas, claro, isso não significa que os demais tipos de investimentos passaram a ser ruins. De acordo com Fernandes, o que acontece é que ações e fundos imobiliários pagam juros prefixados e costumam atrair menos investidores em épocas de alta, devido ao risco que representam.

No caso da caderneta de poupança, o alcance também tende a ser fraco, uma vez que o rendimento estabelecido em 6,5% ao ano pode ser ultrapassado pela inflação. Analistas do mercado financeiro, inclusive, estimam que o índice inflacionário de 2015 fique em torno de 6,56%.

 

PERFIL

Porém, mesmo com todo esse alerta sobre o riscos de investir em meio a uma época de inflação ascendente e de juros progressivos, não existe uma ‘receita invalível’ para se conseguir a melhor aplicação em 2015. O economista Adriano Paranaiba ressalta que o sucesso nesse tipo de negócios depende do perfil do investidor – se mais arrojado ou mais conservador -, o valor que ele tem para investir e o tempo que ele dispõe para deixar seus investimentos renderem.

“Esse conjunto vai determinar a melhor opção para cada pessoa que se interessa em investir e vai influir diretamente nos resultados que serão obtidos”, argumenta o economista. Ele explica, por exemplo, que os investimentos de alto risco na bolsa podem render muito, ao mesmo tempo que a poupança, com toda sua segurança e isenção de impostos (até R$ 50 mil), pode render um valor mínimo ao longo de um mês ou mais.

É por isso que, além de cautela, a consultora financeira Lêda Maria de Oliveira recomenda que os investidores conheçam bem o produto no qual pretendem investir, para não levar susto ou ficar decepcionado mais tarde. “Quem tem medo ou pouco dinheiro para investir, precisa pensar em algo que renda a longo prazo, mas que não ofereça riscos muito altos. Por outro lado, há quem não pode paralisar seus investimentos ou que não se importa com apostas altas, por isso não há como dizer que uma aplicação é melhor ou mais confiável que outra.”

VEDETES

No caso das aplicações de renda fixa – vistas como as ‘vedetes’ da economia em 2015 -, existe uma gama de possibilidades para se investir. Os CDBs, por exemplo, como define o consultor de investimentos Leonardo Rocha Fernandes, é perfeito para as pessoas que querem algo parecido com a poupança, mas que tenham maiores rendimentos e precisem de um tempo menor para conseguir resultados. A desvantagem, nesse caso, é que sobre os rendimentos incide o Imposto de Renda, como nos fundos de investimentos.

O Tesouro Direto, por outro lado, é para aqueles que pensam em investir por no mínimo dois anos. Mas, a vantagem é que quanto maior o tempo da aplicação, menor será o imposto sobre os rendimentos. “Além disso, apresenta recompensas semanais aos seus investidores”, completa Fernandes.

Para os investidores que também dispõem de tempo, as LCIs e LCAs são ótimas opções. Isso porque não são cobradas no Imposto de Renda e ainda contam com o Fundo Garantidor de Créditos, que devolve até R$ 250 mil ao investidor, em casos determinados em suas cláusulas. Mas, como ressalta o especialista, a desvantagem dessas aplicações é o tempo que o dinheiro precisa ficar aplicado: pelo menos um ano.

Se a intenção é aplicar por um período maior do que seis meses, títulos prefixados e de inflação começam a ficar mais interessantes, destacam os analistas. Comprar prefixados neste momento de juro elevado garantiria um retorno alto para o investidor no longo prazo.

O mesmo ocorre com títulos indexados à inflação negociados no Tesouro Direto, que pagam um juro prefixado (atualmente na faixa de 6% ao ano) mais variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que deve se manter ainda elevado em 2015.

 

Fonte: O Popular