Se 2014 foi um ano complicado, 2015 promete ser pior. Com os aumentos já anunciados para este ano, as contas devem chegar mais pesadas no bolso dos consumidores. Apenas em janeiro, já houve elevação nas tarifas de conta de luz e do crédito pessoal em Goiânia.

Já está em vigor a nova bandeira tarifária de cor vermelha na conta de luz para todos os Estados, com exceção do Amazonas, Amapá e Roraima (que ainda não estão interligados com o sistema nacional de energia elétrica). A definição da bandeira de cor vermelha significará um acréscimo de R$ 3,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

“Aumentar a energia em um momento de crise energética no País é algo um tanto quanto fora da realidade. As elevações este ano vieram todas do governo. É bom para o governo, que está arrecadando, mas é ruim para o outro lado da moeda: a população. Se fosse revertido para melhorias seria compreensível, mas infelizmente não é”, avalia o economista Aurélio Troncoso.

Aliado a isso, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incide nas operações de crédito para o consumidor, também sofreu alteração. A alíquota passou de 1,5% para 3% ao ano. Esse valor deverá ser cobrado além dos 0,38% que incidem na abertura das operações de crédito.

Para o economista Adriano Paranaíba, essas ações são resultado dos altos gastos governamentais dos últimos anos. “O governo gastou demais nos últimos anos e, além disso, segurou o preço de vários produtos. Mas uma hora a conta vem, e esse momento chegou. O governo precisa devolver os preços retidos e o povo irá pagar mais caro por praticamente tudo este ano”.

E as elevações não param por aí. Fevereiro já começou com reajustes nos preços dos combustíveis, resultado da alteração das alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Com isso, o valor do litro da gasolina ficou em média R$ 0,22 mais caro e do diesel R$ 0,15%. O preço do etanol deve subir também pela demanda mais forte do produto.

“A gasolina em Goiânia já é a mais cara da década e o brasileiro tem pagado um dos maiores valores do mundo. Além disso, o combustível é o principal produto da cadeia produtiva e, aumentando o preço, consequentemente aumentará os valores de vários outros produtos para a população”, ressalta Paranaíba.

De acordo com ele, o ano será marcado pelos reajustes, e isso requer ainda mais cuidado. “A população pode preparar o bolso. Será um ano de segurar e fazer economia. É hora de reavaliar as contas, não fazer mais dívidas e tomar muito cuidado com o cartão de crédito”, alerta.

Compra de imóveis

A Caixa Econômica Federal aumentou as taxas de juros do financiamento imobiliário para contratos novos. Não foram alterados os financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS. No entanto, foram corrigidas as taxas de juros das operações para financiamento de imóveis residenciais contratadas com recursos da poupança (SBPE).

Ônibus

Em nota, a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) afirmou que por enquanto não deve ter aumento nas passagens. “Em Goiânia e região metropolitana, a revisão do valor da tarifa neste ano dependerá dos estudos técnicos e cálculos dos índices inflacionários, que serão realizados pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) e, em seguida, avaliados pela Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC)”.

Os cálculos são realizados a partir de abril. Entretanto, como a tarifa não sofreu reajuste desde 2013, somado ao aumento no combustível, mais um gasto deve pesar no bolso do usuário goianiense.

Inflação

Enquanto o Brasil fechou 2014 com a inflação na casa dos 6,41%, Goiânia terminou o ano com um índice de 8,42%. Para 2015, o economista Adriano Paranaíba acredita que o cenário deve ser ainda pior. “Acredito que a capital poderá terminar este ano com um indicador na casa dos dois dígitos”, diz.

Fonte: O Hoje