“Conforme a economia ganhar velocidade nos próximos trimestres, a inflação não irá cair”, prevê o BNP Paribas

São Paulo – O BNP Paribas acredita que a inflação deve subir mais do que o esperado em 2013 e passar o teto de 6,5% – chegando a 6,7%. Essa é a previsão mais alta na pesquisa do Banco Central, segundo o banco (o centro da meta oficial é de 4,5% e o consenso indica uma inflação de 5,5% no próximo ano). “No horóscopo chinês, 2012 é o ano do dragão. Mas, no Brasil o dragão chegará um ano depois, já que 2013 será o ano do dragão da inflação”, afirma o relatório assinado pelo economista Marcelo Carvalho.

O aumento dos salários, a escalada dos preços dos alimentos e o câmbio estão entre os fatores que mas devem elevar a inflação em 2013, segundo o BNP Paribas. “Na nossa visão, a inflação provará ser uma dor de cabeça pior que o antecipado e para a qual a maior parte das pessoas não está pronta”, afirma no relatório.

Recentemente, o nível mais baixo da inflação foi de 4,9%, ainda acima do centro da meta do governo (4,5%). Para o banco, o crescimento da inflação parece pior do que as autoridades poderiam imaginar. “Em economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, e em mercados emergentes, como o Brasil, um tema comum é que a inflação não caiu o tanto que a desaceleração do crescimento sugere”, afirma o relatório.

Em julho, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal indicador de inflação no Brasil, acelerou para 0,43%, a maior variação mensal desde abril. De acordo com o IBGE, os principais responsáveis pelo resultado foram os grupos Despesas pessoais e Alimentação e bebidas – a seca nos Estados Unidos elevou os preços do milho, soja e trigo, afetando o que depende desses grãos, como carne bovina, suína, frango e industrializados.

O relatório destacou a alta no preço dos alimentos mas afirmou que a maior preocupação está na tendência da inflação subjacente (que exclui os preços dos alimentos e da energia), incluindo o elevado preços dos serviços em meio a aumento de salários e recorde de baixa no desemprego.

Subindo

“Conforme a economia ganhar velocidade nos próximos trimestres, a inflação não irá cair”, informa o banco. O BNP acredita que a recuperação do crescimento estará em seu caminho na segunda metade desse ano, mas uma outra preocupação surgirá no lugar: a inflação. “Pensamos que as preocupações do mercado com o fraco crescimento (da economia brasileira) darão lugar a apreensões com a inflação crescente – e como as autoridades irão responder”.

Fonte: G1.com