Cerca de 198 mil famílias goianienses devem começar o ano de 2014 com algum tipo de dívida para pagar. Na comparação com o mesmo período do ano passado, serão 24,4 mil novas famílias com alguma parcela do orçamento comprometida. O cartão de crédito continua sendo a maior fonte de endividamento.

Não foi difícil encontrar consumidores que se enquadrem nesse perfil. Ao serem questionados se o próximo ano vai iniciar com algum tipo de dívida, nenhum entrevistado contrariou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada ontem pela Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO).

De acordo com as contas da confeccionista de calçados Juliene de Jesus, de 24 anos, já nos primeiros meses de 2014, boa parte de seu orçamento está comprometido com dívidas com a operadora de cartão de crédito. Ela conta que ganha cerca de R$ 2 mil mensais. Em geral, gasta mais do que ganha. “Não estou com dívidas atrasadas, mas comprometo todo o meu dinheiro. Minha mãe é que segura as pontas”, afirma. Conforme dados da pesquisa, 15,4% das famílias de Goiânia estão muito endividadas.

Segundo o presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos, o perfil da confeccionista foge do ideal. Ele conta que o consumidor não deve deixar ultrapassar 30% da renda. “A barreira limite é de 40% da renda.”

Situação semelhante vive a desempregada Wanusa Queiroz, 22 anos. Com dinheiro do seguro desemprego, garante que consegue quitar pelo menos as próximas parcelas do financiamento da moto, de R$ 420 cada. Ou seja, para o restante de seus compromissos sobram apenas R$ 258. Isso corresponde a mais de 50% de sua renda. Conforme a pesquisa, Wanusa configura uma parcela de 25,9% das famílias goianienses.

A desempregada explica que não tem nenhuma dívida atrasada, mas que o financiamento do veículo de duas rodas só vai finalizar no final de 2014. “Vou conseguir pagar, estou procurando novo emprego” afirma.

O cartão de crédito é o líder absoluto no tipo de dívida das famílias goianienses, com 67,6%, seguido pelos carnês (45,3%). Esse último deu grande salto se comparado ao mês anterior. Em novembro, os carnês de lojas corresponderam a 39% das dívidas. “Isso é em função da época, apropriada para o consumo”, diz José Evaristo.

O frentista Gilmar Sousa Reis afirma que cerca de 60% de sua renda está comprometida pelos próximos seis meses. “Minhas despesas são todas com cartão de crédito”, diz. Ele explica ainda que parte de seu 13º salário foi utilizado para pagar dívidas e a outra será destinada às compras de Natal.

Cerca de 33,5 mil famílias em Goiânia admitem que não terão condições de quitar suas dívidas nos próximos meses. “Isso não quer dizer que não vão pagar todas as dívidas. Eles poderão pagar parcialmente”, afirma José Evaristo.

Ele explica que esse percentual está dentro da margem de segurança. Já 51,1 mil famílias estão em situação pior. Algum compromisso já está atrasado há mais de 90 dias, ou seja, estão inadimplentes.

INTENÇÃO DE CONSUMO

A Pesquisa de Intenção de Consumo divulgada ontem pelo órgão aponta que os consumidores estão com sede de compra. O índice de dezembro é de 144,4 pontos.

Segundo metodologia da pesquisa, índices abaixo de 100 pontos indica uma percepção de insatisfação, enquanto acima de 100 indica grau de satisfação em termos de consumo. “Esse índice está alto, porque os trabalhadores estão mais satisfeitos com a renda e seguro em relação ao emprego”, conclui José Evaristo.

Fonte: O Popular